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Em Canela, lixo é dinheiro!

  • 21 de fev.
  • 2 min de leitura

Lixo não é só sujeira. Lixo é dinheiro, é saúde pública, é preocupação ambiental, é imagem da cidade. E quando a coleta falha, Canela inteira sente. O problema é que a gente corre o risco de fazer uma mudança necessária do pior jeito possível: cobrando perfeição do morador antes de entregar um sistema confiável.


Eu conversei com o Frozi sobre a intenção da Prefeitura, e fiquei muito feliz com o que ouvi. Reduzir custos, organizar o sistema e fazer Canela voltar a ser referência em gestão de resíduos é uma direção correta. 


Canela e o próprio Frozi já mostraram, em outros momentos, que conseguem fazer bem feito. Quem viveu os tempos de escola nos anos 90 vai lembrar: Semana do Meio Ambiente, Teatrão, mobilização, educação real. 


Isso criou uma cultura. As crianças iam pra casa e ensinavam seus pais.


Mas isso se perdeu.


Em um tema como lixo, o resultado depende de rotina, consistência, confiança e educação permanente.


“Economia no lixo” não é cortar por cortar. Economia no lixo é reduzir rejeito, aumentar reciclagem e fazer o sistema rodar com eficiência. E aqui entra um ponto que pouca gente fala com clareza: reciclável vale dinheiro.


Papel, plástico, metal. Isso entra como matéria-prima na cadeia produtiva. Agora, quando vem contaminado com orgânico, vira rejeito. E rejeito é exatamente o que a Prefeitura paga caro pra destinar.


Então sim: separar certo ajuda a cidade a gastar menos. Canela gasta cerca de R$10 milhões por ano para coletar e destinar os resíduos, e com eficiência dá pra reduzir cerca de R$2 milhões. E R$2 milhões livres no caixa não são detalhe. Dá pra fazer bastante coisa com isso em várias áreas da cidade.


Só que tem um ponto de equilíbrio que não pode ser ignorado. Mudança grande exige transição e comunicação muito clara.


Quando a coleta falha, não é só uma falha operacional. É consequência direta no dia a dia. Lixo acumulado na frente de casa, odor, risco sanitário e aquela sensação ruim de abandono. Isso bate na autoestima do morador.


A autoestima vai pro lixo, literalmente.


Existe uma percepção de melhora recente. Isso precisa ser reconhecido quando acontece, porque o objetivo aqui é acertar.


E tem um ponto que pesa muito. Por anos, muita gente viu a coleta sendo feita errada, a empresa misturava o seco com orgânico.


Muita gente perdeu a fé no processo. 


Não dá pra exigir “padrão europeu” do morador se o serviço ainda não provou consistência. Confiança é via de mão dupla e se recupera com tempo, com rotina confiável, educação contínua e fiscalização forte.


Pra não virar aquele jogo de “eu passei” contra “eu não vi”, a solução é simples: dados e comunicação. Indicadores reais, publicados, acessíveis. Se existe GPS, então dá pra medir e mostrar rota cumprida, horário, trecho atendido, falha e recoleta.


Isso não é luxo. Isso é bem-estar, é saúde pública, é respeito com quem paga imposto e tenta fazer a sua parte.


Se a gente quer uma Canela mais organizada, mais limpa e com menos custo, a gente precisa ter coragem de fazer o óbvio em 2026: usar inovação, educação e transparência pra transformar lixo em dinheiro.


 
 
 

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