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Corsan em Canela: virou “sonho” ter água?

  • 12 de fev.
  • 3 min de leitura

Um dos principais sonhos pra 2026 é simples, e isso é o mais absurdo: ver a Corsan entregando um serviço minimamente decente em Canela. Eu já falo em “sonho” porque, a cada mês que passa, fica mais difícil acreditar que essa virada vai acontecer.


Canela vive na base do improviso quando o assunto é água e saneamento. E não dá pra tratar isso como “fase”, como se fosse normal conviver com instabilidade e descaso. É falta de água, é falha no tratamento de esgoto, é vazamento por todo lado. A sensação é de que a cidade inteira está ligada numa tubulação que virou peneira.


A Corsan presta um serviço ruim, muito ruim. É ruim num nível que afeta a rotina de quem mora aqui e destrói a cidade ao mesmo tempo. As ruas foram abertas, remendadas, reabertas… e em muitos lugares o estrago ficou. Enquanto isso, as perdas por vazamento seguem gigantes, os problemas se repetem, e a população continua pagando a conta de um serviço que não entrega o básico.


E aí quando a coisa estoura, a cobrança cai em cima do vereador. E tem que cobrar mesmo. Vereador é ponte. Vereador tem que fiscalizar, tem que provocar, tem que pressionar. Só que também precisa ficar claro onde está o centro da responsabilidade.


Saneamento não é “tema técnico”. É saúde pública, é dignidade, é economia, é turismo, é cidade funcionando.


Quando o básico não funciona, todo o resto vira maquiagem.


O que está sendo feito?


A Câmara não ficou parada. Ano passado foi criada uma comissão especial, foi produzido um relatório robusto (com mais de duas mil páginas) e esse material foi entregue ao Ministério Público. Até agora, pelo menos publicamente, não houve uma resposta oficial à altura do tamanho do problema e do volume de provas e relatos reunidos.


A Agesan também é cobrada. Muitas vezes participa, vem, faz medições, acompanha. Mas, sinceramente, o momento pede mais energia. Fiscalização mais firme. Cobrança mais forte. A cidade não aguenta mais o “vamos monitorar”.


E tem outro ponto que precisa ser dito com clareza: o serviço é responsabilidade do Executivo. Ele pode ter concedido a operação para uma empresa, mas a responsabilidade final é do município. Isso significa que o Executivo precisa ser mais rígido, mais assertivo e tomar as medidas cabíveis, sem medo do desgaste.


O que falta?


Do jeito que está, não dá. E se as instituições não subirem o tom, a Corsan vai continuar empurrando com a barriga.


Talvez o caminho seja uma nova audiência pública, com Ministério Público, Corsan, Executivo e vereadores na mesma mesa, com prazos e compromissos claros. Talvez seja hora de discutir, com seriedade, medidas mais drásticas, inclusive uma ação civil pública.


Eu estou dizendo o óbvio: ou a cidade reage, ou a gente vai repetir esse filme em 2026, 2027, 2028…


Tem uma ironia que chama atenção: muitas vezes, os vereadores que mais cobram e mais se expõem são os que mais apanham publicamente. Mas isso não pode virar desculpa pra recuar. Quem está na linha de frente vai ser cobrado mesmo. O que não pode é a cidade ficar refém de um serviço ruim e de respostas mornas.


E agora?


A Câmara está fazendo seu papel. A população sofre todo dia. E agora chegou a hora de as instituições responsáveis agirem com mais firmeza. Água e saneamento não são luxo. São obrigação. E Canela não pode mais aceitar que o básico vire “sonho” pra 2026

 
 
 

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