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A crise da Padre Franco precisa acender um alerta em Canela

  • 12 de mai.
  • 2 min de leitura

Nos últimos dias, a Padre Franco voltou a ser assunto em Canela. E antes de qualquer coisa, é importante deixar claro: a entidade tem uma história enorme e um papel essencial na nossa comunidade.


Fundada em 1983, a Associação Assistencial Dom Luiz Guanella, mais conhecida como Centro Social Padre Franco, nasceu com uma missão muito clara: ajudar a melhorar a realidade social do bairro, tirar crianças da rua no contraturno da escola e oferecer atividades educativas, alimentação e acolhimento.

A entidade começou sua trajetória ligada à antiga Creche Reino Encantado. Em 2000, foi inaugurado o prédio do Centro Social Padre Franco, que se tornou uma referência no atendimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.


Eu também tenho memórias pessoais com essa história. Lembro do meu vô Pedro Dias, do envolvimento dele com a entidade, dos cachorros-quentes e de tantas pessoas que ajudaram a construir esse trabalho ao longo dos anos.


Hoje, a Padre Franco atende mais de 200 crianças. Crianças que recebem comida, cuidado, educação e atividades no turno inverso da escola. É um trabalho reconhecido e importante para Canela.


Mas chegamos em 2026 com uma crise financeira e ameaça de descontinuidade desse atendimento. E isso precisa acender um alerta.


Uma instituição desse tamanho não pode viver sempre no limite, dependendo de improviso, evento beneficente, emenda de última hora ou socorro emergencial.


E tem um dado que chama atenção: em 2018, a entidade recebeu menos de R$ 50 mil em dinheiro público. Em 2023, recebeu mais de R$ 1 milhão. Um crescimento de mais de 2.500% em cinco anos.


Para comparar, no mesmo período, a Apple cresceu cerca de 44,3%, a Amazon 147% e a Tesla 350%.


Claro que uma associação social não é uma empresa. A comparação serve apenas para mostrar o tamanho do salto. E é óbvio que mais recursos também podem significar mais projetos, mais crianças atendidas e mais responsabilidades.


Mas justamente por isso, a gestão precisa acompanhar esse crescimento.


Não estou fazendo acusação contra ninguém. Também não estou colocando em dúvida a boa-fé de quem passou pela entidade. Mas dinheiro público exige cuidado. E uma entidade essencial precisa de planejamento, transparência e gestão profissional.


A Padre Franco é essencial para Canela e precisa continuar. Mas continuar de forma segura, organizada e previsível.


O caminho não é abandonar a entidade. O caminho é protegê-la.


E proteger a Padre Franco também significa garantir que ela não dependa todos os anos de uma corrida desesperada para manter as portas abertas.

 
 
 

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Notas & Reflexões

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